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Literatura
Livro de Jesus Garcia reeditado em Luanda
A relevante contribuição angolana no Novo Mundo é um dos factos que sobressaem no livro do venezuelano Jesus Garcia Alberto “Chuchu”, intitulado “La Diáspora de los Congos”,  que acaba de ser reeditado em Luanda pela Fundação Eduardo dos Santos.
Esta nova remessa, com 300 páginas, detém qualidade gráfica nitidamente superior à primeira impressão, tem como ilustração da capa uma fotografia do autor em companhia de chefes tradicionais de Mbanza Kongo.
No processo de estruturaçao da obra, e na impossibilidade de o autor se deslocar a Angola (em guerra), Jesus Garcia chegou a resultados razoáveis  graças ao apoio da UNESCO, que lhe permitiu efectuar efectuar duas missões de terreno na parte meridional do Congo da margem direita (Brazzaville).
Similitudes
 
Jesus Garcia trabalhou no seio das comunidades kongo setentrionais como nos loango e vili,  punu, kamba, ndoondo e lari, arredores de Brazzaville. Apreendeu, aí, rudimentos do munukutuba ou kituba, o kikongo veicular.
Abordado por O PAÍS, o representante do Comité Científico Internacional da UNESCO no Projecto “A Rota dos Escravos”, Simão Sioundoula,  que também presenciou a apresentação da obra, realçou que o livro ultrapassa a restrição monográfica e geográfica, uma vez que aborda a recorrente presença “congo” nas resistências de natureza social e política contra a opressão esclavagista, nas diferentes expressões religiosas, musicais e coreográficas, sobre toda a extensão do continente americano e do conjunto insular caribenho.
Por essa razão, referiu, as análises encontram exemplos nas margens do Rio de la Plata, (Argentina e Uruguai), no Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Panamá, Porto Rico, República Dominicana, Haiti, Jamaica, Suriname, Cuba, Honduras, Nicarágua,  Belize, São Vicente, Martinica e Guadalupe.
Na introdução da obra, o autor recorda, entre outros aspectos, as regiões de origem dos cativos e os distintos destinos escolhidos.
Abordando o papel dos congos no previsível fenómeno de insurreição esclavagista, o investigador venezuelano cita o célebre quilombo dos Palmares (1645 – 1695), que liderou o valente Nganga Zumbi, cuja ascendência suposta é a dos temíveis guerreiros yaka.
Confrarias
Indica em seguida, em Santo Domingo, os movimentos liderados, dos séculos XVI ao XVIII, por Sebastian Lemba, Seypion, Maria e Tomas, todos Congo.
Na antiga “Nueva Grenada”, o autor cita, a vitoriosa rebelião dos congo-angolas de San Basílio de Palenque, mas igualmente os territórios livres de Duanga (1694), Santa Cruz de Masinga (1703) e Samba – Palizada (1797).
No Peru, os arquivos registaram, em 1610, acções insurrecionárias fomentadas por Juan Garcia e Catalina, ambos Congo, ao passo que Porto Rico vivia um estado de revolta permanente. A propósito, o livro faz ainda menção à captura em 1820 de um dos líderes chamado Jua.      Cuba, a ilha mayombera, não escapou às conspirações encorajadas pelos Quisicuaba ou Quaba de los Quisi e Ganga.
Matriz
Etno-musicólogo de reconhecido talento, Jesus Garcia Alberto “Chuchu”- que é também Encarregado de Negócios da Venezuela em Angola-  reconheceu o continuum das culturas do setentrião angolano de várias formas: expressões musicais e coreográficas (a conga, no Panamá;  as famosas tradições de “Los Congos de Espiritu Santo” de Villamella, na República Dominicana, que foram declaradas pela UNESCO “Património Intangível da Humanidade”).
Referiu, no estudo, a utilização, na sua própria terra natal, no quadro das Festas sincréticas de San Juan Congo, o tambor congo-mayor. Em Cuba, na região de Guayabo, o mesmo membranofone é utilizado nos festejos dos Congos Reales.
Confirmou que em Cartagena das Índias, na Colômbia, é exibida a dança Congo Grande. Na sua abordagem de factos contemporâneos, Jesus Garcia ilustra a influência da cultura do “Baixo Nzadi”, com a extraordinária produção musical do cubano Arsenio Rodriguez, que reivindica, um século depois da abolição da escravatura na ilha, as suas raízes clanicas com a composição  “Yo soy kanga”.
Realça, também, na “Grand Plantacion”, o grupo de Eddie Palmieri que interpreta, entre outras, “Mi Congo Yambumba”. A versão original desta é um guanguanco do Conjunto Los Muñequitos de Matanzas
 

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