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Literatura
Livro de Jesus Garcia reeditado em Luanda
Esta nova remessa, com 300 páginas, detém qualidade gráfica
nitidamente superior à primeira impressão, tem como ilustração da capa
uma fotografia do autor em companhia de chefes tradicionais de Mbanza
Kongo.
No processo de estruturaçao da obra, e na impossibilidade de o autor se
deslocar a Angola (em guerra), Jesus Garcia chegou a resultados
razoáveis graças ao apoio da UNESCO, que lhe permitiu efectuar efectuar
duas missões de terreno na parte meridional do Congo da margem direita
(Brazzaville).
Similitudes
Jesus Garcia trabalhou no seio
das comunidades kongo setentrionais como nos loango e vili, punu,
kamba, ndoondo e lari, arredores de Brazzaville. Apreendeu, aí,
rudimentos do munukutuba ou kituba, o kikongo veicular.
Abordado por O PAÍS, o representante do Comité Científico
Internacional da UNESCO no Projecto “A Rota dos Escravos”, Simão
Sioundoula, que também presenciou a apresentação da obra, realçou que o
livro ultrapassa a restrição monográfica e geográfica, uma vez que
aborda a recorrente presença “congo” nas resistências de natureza social
e política contra a opressão esclavagista, nas diferentes expressões
religiosas, musicais e coreográficas, sobre toda a extensão do
continente americano e do conjunto insular caribenho.
Por essa razão, referiu, as análises encontram exemplos nas margens
do Rio de la Plata, (Argentina e Uruguai), no Brasil, Peru, Colômbia,
Venezuela, Panamá, Porto Rico, República Dominicana, Haiti, Jamaica,
Suriname, Cuba, Honduras, Nicarágua, Belize, São Vicente, Martinica e
Guadalupe.
Na introdução da obra, o autor recorda, entre outros aspectos, as
regiões de origem dos cativos e os distintos destinos escolhidos.
Abordando
o papel dos congos no previsível fenómeno de insurreição esclavagista, o
investigador venezuelano cita o célebre quilombo dos Palmares (1645 –
1695), que liderou o valente Nganga Zumbi, cuja ascendência suposta é a
dos temíveis guerreiros yaka.
Confrarias
Indica em seguida, em Santo Domingo, os
movimentos liderados, dos séculos XVI ao XVIII, por Sebastian Lemba,
Seypion, Maria e Tomas, todos Congo.
Na antiga “Nueva
Grenada”, o autor cita, a vitoriosa rebelião dos congo-angolas de San
Basílio de Palenque, mas igualmente os territórios livres de Duanga
(1694), Santa Cruz de Masinga (1703) e Samba – Palizada (1797).
No Peru, os arquivos registaram, em 1610, acções insurrecionárias
fomentadas por Juan Garcia e Catalina, ambos Congo, ao passo que Porto
Rico vivia um estado de revolta permanente. A propósito, o livro faz
ainda menção à captura em 1820 de um dos líderes chamado Jua. Cuba,
a ilha mayombera, não escapou às conspirações encorajadas pelos
Quisicuaba ou Quaba de los Quisi e Ganga.
Matriz
Etno-musicólogo de reconhecido talento, Jesus
Garcia Alberto “Chuchu”- que é também Encarregado de Negócios da
Venezuela em Angola- reconheceu o continuum das culturas do setentrião
angolano de várias formas: expressões musicais e coreográficas (a conga,
no Panamá; as famosas tradições de “Los Congos de Espiritu Santo” de
Villamella, na República Dominicana, que foram declaradas pela UNESCO
“Património Intangível da Humanidade”).
Referiu, no estudo, a utilização, na sua própria terra natal, no
quadro das Festas sincréticas de San Juan Congo, o tambor congo-mayor.
Em Cuba, na região de Guayabo, o mesmo membranofone é utilizado nos
festejos dos Congos Reales.
Confirmou que em Cartagena das Índias, na Colômbia, é exibida a
dança Congo Grande. Na sua abordagem de factos contemporâneos, Jesus
Garcia ilustra a influência da cultura do “Baixo Nzadi”, com a
extraordinária produção musical do cubano Arsenio Rodriguez, que
reivindica, um século depois da abolição da escravatura na ilha, as suas
raízes clanicas com a composição “Yo soy kanga”.
Realça, também, na “Grand Plantacion”, o grupo de Eddie Palmieri
que interpreta, entre outras, “Mi Congo Yambumba”. A versão original
desta é um guanguanco do Conjunto Los Muñequitos de Matanzas
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